
Todo
ano o Santuário Ecológico de Pipa é visitado por um grande
número de colégios, tanto da rede pública quanto da particular.
Enquadrada no cronograma letivo, uma visita ao Santuário destaca-se como
uma excursão memorável para um atrativo turístico que também
oferece amplas oportunidades educacionais e recreativas.
Os
alunos são acompanhados nas trilhas pelos jardineiros do Santuário
que apresentam aspectos da história natural e das tradições
da comunidade local, ou, juntamente com os professores, podem abordar temas
gerais, relacionados ao meio ambiente ou a datas comemorativas como o Dia da
Água, Dia do Índio etc. Com
o devido planejamento anterior pode-se aproveitar cada etapa da excursão
para desenvolver projetos práticos, fazer jogos didáticos e realizar
debates. Temos uma série de cartilhas prontas sobre a ecologia e cultura
da região, além de equipamentos para pequenos experimentos científicos
e oficinas de arte.
Quais as vantagens de uma aula no campo?
A aula-passeio é uma atividade construtiva para
a escola ao favorecer trabalhos interdisciplinares e participativos. Do ponto
de vista do aluno, a viagem proporciona uma quebra na rotina da sala de aula
e uma oportunidade de aprender de forma prática explorando novos ambientes.
Do ponto de vista do professor permite o aprofundamento de temas abordados no
quadro negro, enriquecendo e fixando melhor o aprendizado. Todos os professores
de uma determinada série poderão colaborar ao planejarem um roteiro
conjunto relacionado à Semana de Comunicação da escola
ou à comemoração de algum evento como o Dia do Índio,
da Árvore ou das Águas. Ao longo da viagem de ônibus e no
caminho a pé podem ser trabalhadas matérias como Estudos Sociais,
Geografia, História, Ciências e Educação Artística.
Os ambientes de praia e floresta também propiciam boas oportunidades
para os esportes. Há ainda um opcional passeio de barco.
Na volta à escola, as experiências e o material recolhido podem
ser trabalhados e integrados em projetos ou eventuais exposições.
Podemos fornecer questionários que ajudarão a sistematizar e avaliar
a aprendizagem.
A viagem não é cara, no Santuário o ingresso não
ultrapassa R$5,00 por aluno e as demais despesas somam entre R$10,00 e 20,00,
incluindo as passagens, alimentos e eventual passeio de barco. O que mais pesa
é o tipo de transporte utilizado e as refeições.
Pedimos que sua visita seja agendada com razoável antecedência,
permitindo um melhor planejamento.
Agradecendo o apoio,
A
NATUREZA COMO MESTRE
Quem
leciona em escolas da rede pública, especialmente no interior, tem enormes
dificuldades a superar.
Muitas
vezes conta apenas com o esclarecimento da direção da escola,
a sua própria boa vontade e amor pela profissão para realizar
um bom trabalho.
Não há biblioteca adequada, equipamentos nem material suficiente;
a merenda freqüentemente falta; a incidência de evasão é
alta; há pouca chance do professor participar de cursos de reciclagem,
e assim por diante.
No entanto, os ambientes (ruas, casas, sítios, mato) em torno da escola
oferecem ótimas oportunidades para o professor que esteja disposto a
sair da sala e aprender junto com os alunos. Na verdade, no ensino das ciências,
não existe método melhor para se descobrir a importância
dos conhecimentos adquiridos pelo homem ao longo de sua história. Nas
outras disciplinas, da mesma forma, o ensino ganha força quando parte
do cotidiano e do ambiente de vida das crianças.
Como é essa "educação experiencial" ? Envolve
o "abandono" das certezas da sala de aula, assim como da metodologia
didática tradicional. Visa oferecer ao aluno a oportunidade de viver
a sua aprendizagem de forma imediata e relevante. Em vez de assimilar passivamente
a matéria ele é encorajado a duvidar, a se atrever, a ganhar confiança
no seu próprio raciocínio e habilidades. Em lugar da palavra habitual
de autoridade ele recebe sugestões, incentivando-o a mostrar independência
de pensamento e a compartilhar as suas idéias com os outros para procurar
soluções coletivas. Outro aspecto desta educação
alternativa é de dar valor à cultura da região, desfazendo
o preconceito de que a sabedoria só existe nos livros.
Como planejar tais aulas ? Não há receita fixa. O essencial é
escolher atividades que despertem a curiosidade e criatividade natural da criança,
elementos fundamentais para o desenvolvimento da inteligência. Tentar
estimular o encadeamento de idéias e a capacidade do aluno de pensar
coerentemente sobre o tema escolhido. A coleta de informações
e objetos, produção de relatórios, construção
de modelos e maquetes, confecção de murais, criação
e encenação de peças teatrais e muitas outras atividades
poderão ser programadas para tal fim.
No
Santuário Ecológico de Pipa, existem 16 trilhas silvestres que
podem ser percorridas em diversas combinações para pesquisar diferentes
aspectos das ciências naturais e sociais, conforme a vontade do coordenador
e professores da escola.
Os
alunos deverão ser preparados para a experiência antes da viagem,
mediante a distribuição de problemas para solucionar e tarefas
para realizar. Em geral, é aconselhável que a turma seja dividida
em pequenos grupos de até 10 pessoas, cada qual acompanhado por um professor
ou ajudante. Todas as crianças deverão ter cadernos para fazer
anotações, saquinhos para colocar amostras e equipamentos para
tarefas que podem ir desde a fotografia até medições geográficas.
Uma pessoa em cada grupo é geralmente eleito monitor (ou relator) para
juntar as amostras ou resultados. Em cada trilha do Santuário, existem
clareiras com bancos rústicos, onde poderão ser desenvolvidos
debates e outros trabalhos coletivos. Ensaios práticos poderão
ser realizados no fim da caminhada, em mesas na sombra das árvores, enquanto
os questionários previamente preparados podem ser respondidos no ônibus
durante a viagem de volta ou no colégio, depois da visita.
Esperamos que este passeio hoje na companhia do nosso guia lhe dê algumas
idéias que possam ser exploradas com seus alunos, quando começar
a ensinar. Algumas sugestões, na área das ciências :
1) Programe com os alunos uma excursão para coletar diferentes tipos
de solo. Sugira que anotem a vegetação que cresce em cada local.
Coloque em um funil uma quantidade igual de cada amostra devidamente nomeada
(solo humífero, argiloso, arenoso, etc.) e derrame nela um volume fixo
de água . Peça aos alunos para marcar o tempo que a água
leva para escorrer na proveta, e o volume que passa. Dessa forma, poderão
comparar a permeabilidade (e retentividade) dos diferentes solos. Mostre-lhes
como determinar a quantidade de ar em cada tipo de solo (adicionando um copo
de água a um volume fixo do solo numa proveta) e a quantidade relativa
de húmus (usando os métodos de flutuação e combustão).
Proponha a realização de entrevistas com agricultores e agrônomos
para descobrir as características dos solos mais propícios para
determinadas plantas. Sugira que experimentem, plantando sementes de feijão,
jerimum, milho, etc. nas diferentes amostras.
2)
O estudo da água pode ser conduzido com a simples observação
dos fenômenos da natureza, como chuva, evaporação, formação
de nuvens e de orvalho. No quintal da escola, o jato de água de uma mangueira
pode ser usado para descobrir os processos de formação do rio
e os processos erosivos. É interessante realizar, ainda, um estudo sobre
a água usada na comunidade, investigando a sua qualidade, procedência,
consumo e destino final.
3)
No caso do ar, as crianças podem observar os ventos
e construir instrumentos simples, como cata-ventos, aviões de papel e
pipas, para entender que o vento é o ar em movimento, descobrir de onde
vem e aprender que a ventilação natural da casa pode ser melhorada
através da boa arquitetura.
4) É possível revelar os segredos das plantas,
incentivando os alunos a criar e cuidar de uma horta. Sugira que entrevistem
os seus avós para compilar um dicionário das plantas da região
com seus usos caseiros. Um grupo de alunos pode preparar uma coleção
de plantas prensadas, outro pode comparar suas raízes, folhas, flores,
frutos e sementes e outro dissecar algumas para colar em murais.
5) Os invertebrados, como insetos (borboletas, formigas, cupins,
besouros e outros) aracnídeos (aranhas, escorpiões, carrapatos,
etc.) e diplópodes (imbuás), podem ser observados no quintal da
escola, anotando o seu ambiente preferido, alimento e comportamento. Os alunos
devem examinar e comparar a aparência desses animais (número de
patas, divisão do corpo, presença de antenas e de asas) para tentar
criar um sistema próprio de classificação. Projetos mais
demorados incluem a vida social da formiga de roça e a metamorfose da
lagarta.
) Estudo do corpo humano. O próprio esforço dos
alunos em percorrerem as trilhas pode ser usado para mostrar como o ser humano
funciona : como se dá a transformação dos alimentos em
energia e movimento; como é indispensável o oxigênio, fornecido
mediante o sistema respiratório. A agilidade e rapidez dos reflexos servem
para introduzir conceitos sobre o sistema nervoso. Os movimentos das pernas
e braços mostram o funcionamento dos ossos como alavancas e a forma antagônica
em que trabalham os músculos (enquanto um se contrai, o outro relaxa).
Aproveite a ocasião para sugerir a classificação dos alimentos
conforme suas funções básicas.
Outros
assuntos que podem ser desenvolvidos ao ar livre :
A geografia e história brasileira, através do relevo, dos monumentos,
fisionomias humanas, sistema de cidades, transportes, atividades econômicas,
etc.
A matemática,
através da contagem de objetos naturais (p.ex., folhas num galho, feijão
verde numa vagem), multiplicação e outras operações,
(p.ex. para calcular a velocidade de uma ave), estudo das distâncias,
áreas, formas, volumes, usando aspectos da paisagem.
O ambiente natural e cultural é realmente um "prato cheio"
para quem quiser incentivar a aprendizagem. Caso necessite de mais esclarecimentos
ou de um roteiro de trabalho mais detalhado, por favor entre em contato conosco
pelo telefone 211-6070.
David M. Hassett - Santuário Ecológico
de Pipa
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