Devido à grande expansão das monoculturas de cana-de-açúcar e coqueiro, relativamente pouco resta da flora nativa, especialmente ao redor dos povoados e no tabuleiro. No entanto, no Santuário Ecológico de Pipa e nas áreas contíguas ainda permanecem pequenas amostras das formações vegetacionais das praias, barreiras e sopé das dunas, trechos da mata costeira (floresta atlântica) e vegetação típica de tabuleiro.

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Sabiá-da-praia do Madeiro

Flora













As praias e suas encostas são fixadas por plantas herbáceas, cactáceas, arbustos e árvores. Sobrevivem entrincheiradas em condições bastante hostis, desde a linha máxima da maré até o topo dos paredões mais íngremes. Existem plantas halófilas como o pinheirinho (Cyperaceae), plantas psamófilas como salsa-da-praia (Convolvulaceae) e o guajiru (Chrysobalanaceae), xerófilas como o cardeiro (Cactáceae) e o juazeiro (Rhamnaceae) e plantas hidrófilas como o mium (Anonaceae) e a munguba (Bombacaceae). Realmente, não se trata de um único ambiente e sim uma sucessão de ecossistemas extremamente especializados compreendendo uma diversidade de nichos ecológicos, ligados por vegetação de transição.

Nas elevações mais expostas (ex., nas pontas da Cancela e do Madeiro) as copas dos arbustos e árvores apresentam um "penteado" típico, o que torna parecidas espécies tão diferentes como o Genipapo-bravo (Rubiaceae), cajueiro (Anacardiaceae), peroba (Bignoniaceae), guabiraba (Myrtaceae) e maçaranduba (Sapotaceae).

Atrás das primeiras dunas erguem-se ralos remanescentes da primitiva floresta que antigamente cobria o litoral norte-rio-grandense numa faixa de uns 30 km de largura, desde o cabo de São Roque até a fronteira com a Paraíba. A devastação da "Mata Atlântica", iniciada com o ciclo do pau-brasil, foi intensificada com o desmatamento exigido pela cultura da cana-de-açúcar, ampliado com o programa "Pró-Alcool" na década de 1980.
Hoje em dia, continua sendo desperdiçado na forma de lenha para as cerâmicas e padarias e substituído por monoculturas agrícolas, quase destituídas de vida silvestre e sem encanto visual.

Mais esclarecido, do ponto de vista da biodiversidade, é o sistema de exploração artesanal, envolvendo o corte seletivo de árvores (em vez do corte raso da floresta toda) e a rotação de terras através das antigas práticas de "broca" e "coivara", deixando as raízes das árvores no chão para brotarem de novo quando a área voltar a ser inutilizada.
Graças a esse sistema, sobreviveu até hoje uma certa parte do patrimônio silvestre regional.

Até 1992 a floresta nos arredores de Tibau e Pipa ainda formava uma faixa quase contínua (embora distinguida com nomes diferentes: Mata do Madeiro, Mata do Dominé, do Velho Castelo, do Pau Brasil, etc.) e era possível separar visualmente os dois componentes:

1) mata virgem, com altura de 8 a 15 m, parcialmente descaracterizada pela retirada de madeiras nobres e cipós; isso geralmente nos topos dos morros, nas grotas e noutros locais de acesso mais difícil;

2)"capoeira" ou mata secundária, de uns poucos metros de altura, às vezes semeada com coqueiros e cajueiros, e geralmente dominada por umas poucas espécies nativas em grande quantidade: galamastro (Cecropiaceae), sapucaia (Lecythidaceae), cabatã (Sapindaceae) e outras árvores pioneiras. Normalmente esta mata secundária é encontrada nas áreas mais planas e mais próximas dos povoados.

Hoje, a especulação imobiliária e o crescimento urbano são os maiores fatores na descaracterização da vegetação e paisagem nativa.






















A Mata Atlântica

A Mata Atlântica, da qual a floresta de Pipa faz parte, é o segundo ecossistema mais ameaçado de extinção do mundo, perdendo apenas para as quase extintas florestas da ilha de Madagascar, na África.

Apesar do nome, a Mata Atlântica não é uma massa homogênea. Pelo contrário, é altamente variada, incluindo matas de araucária, florestas pluviais e secas, restingas, manguezais, campos de altitude, encraves de "matas de brejo" no interior nordestino e cerrados. Este complexo de florestas abriga uma parcela significativa da diversidade biológica do Brasil, com grande número de espécies endêmicas (ou seja, espécies que são exclusivamente encontradas nesta área). A riqueza da sua biodiversidade é tão significativa que os dois maiores recordes mundiais de diversidade botânica para plantas lenhosas (árvores, arbustos, trepadeiras e afins) foram registrados nesta região: 454 espécies em um único hectare do sul da Bahia e 476 espécies em uma amostra do mesmo tamanho no norte do Espírito Santo. Para se ter uma idéia comparativa de sua riqueza biológica, em um hectare de floresta na América do Norte existem entre 4 e 25 espécies diferentes, somente.

Nesse mosaico de ambientes, que vai desde serras de 2000 m cobertas de neblina até dunas costeiras assoladas pelo calor, o imenso número de espécies animais e vegetais vivem numa delicada rede de trocas e dependências. Muito pouco se conhece a seu respeito; milhares de espécies nem receberam sequer nome científico e outros milhares foram precariamente classificadas porém sem ao menos descobrir os seus hábitos de vida. Da preservação deste extraordinário ecossistema depende o futuro potencial turístico, científico e industrial do Brasil.

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